segunda-feira, 25 de abril de 2011

Fluir

Mil livros para ler
Mil ideias para ter
e o congestionamento
de SPaulo para me enlouquecer.
Duas horas para se chegar a um local
e, em menos de 20 segundos,
minha mensagem chega a qualquer lugar
do mundo pela Internet.
O congestionamento poderia
ir para a Internet.
O trânsito fluiria melhor nos sites
e eu chegaria mais rápido em
meu destino,
do outro lado do virtual
e do outro lado da marginal.

domingo, 17 de abril de 2011

Whispering

All those flowers
you brought me yesterday
are still leaving today

All those kisses
you gave me
are still on my face

All those words
you told me
were gone when you slam the door

sábado, 16 de abril de 2011

Heartless

I will take a rest
I am tired of sadness
And all that you said
I will forget
I will pretend I was dreaming
I will leave
with one hand
because the other one
stayed with you to protect you
This hand doesn´t know
what to do without that one
It tries to write about my fears
It tries to count the years
But it can´t
It just holds my tears.

Broken dishes

You broke
the dishes
and then you
apologised
I will tell you
You broke not
only the dishes
but the place where
I put my love to you.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Somos todos juízes

De todos os mandamentos, creio que o que mais praticamos e, às vezes, com consentimento, é o do julgamento – e veja que aqui já estou julgando. Há uns dias, foi notícia em vários veículos o drama de uma mãe que deu à luz trigêmeas e deixou uma, aparentemente doente, no hospital.

Comoção nacional. Todos viramos árbitros e partimos para o massacre contra a mãe-monstro. Sabe-se lá o que a levou a deixar a criança? E se ela está com depressão pós-parto? O que se passa dentro do coração daquela mulher? O que a levou a fazer aquilo? Se ela se arrependeu e quer o bebê de volta, porque não facilitar e devolver, em nome do bem-estar das próprias crianças?

Difícil não julgar situações como esta e de tantas outras mulheres que estamos vendo jogarem seus filhos no lixo. O sentimento de querer a justiça é tão voraz que saímos disparando opiniões sem moderar os fatos. Julgamentos precipitados magoam. Ferem lá na alma. Sem querer, julgamos. Somos usuários de mídias sociais e multiplicou-se, sobretudo, a forma de julgar.

Na Bíblia, li acerca de uma qualidade que Deus instrui para os homens de ‘serem moderados’. Isso ficou na minha cabeça. Que orientação divina tão diferenciada! A própria palavra já traz um tom de aquietação, de reflexão antes da ação. Nos dicionários encontrei alguns sinônimos: cautela, atenção, cuidado. Ok, amigos, gostei disso e quero adotar como prática. Ajudem-me a ser moderada. E você, já praticou a sua moderação hoje?

sábado, 2 de abril de 2011

As xícaras de chá

Era a primeira visita depois de mais de trinta anos. Esperou-me na esquina conforme prometera. Olhos curiosos voltavam-se para nós. O corredor que dava para seu barraco era estreito. Água suja escorria pelos cantos. Mulheres sentadas na beira de suas portas faziam escova, pintavam as unhas da mão ou do pé. Pararam de falar quando passei. Sentia seus olhares em minha nuca. Ritmos de música se confundiam num alto volume. Funk, forró, sertanejo. Crianças brotavam por todos os lados assim como os cachorros, magros e com pelos opacos.

Chegamos em seu barraco. Mostrou-me o cômodo e cozinha de chão batido, com orgulho. Sentei-me à mesa da cozinha-sala, enquanto ela preparava o café. O cheiro do bolo assando impregnava o pequeno ambiente. De costas, contou-me um episódio em que eu, com dois anos de idade, caí doente no meio da noite. Morávamos num quintal com várias casas conjugadas. Ouviu o choro da minha mãe e lá foi bater na porta. Entrou e já foi me pegando no colo. “Miúda, corpinho mole, mole, os olhos revirando”, relembrou a Dona Maria. Fez a reza, deu-me um banho com ervas e me colocou para dormir. No dia seguinte, o milagre. Acordei brincando e comendo.

Estava bem idosa. Quando criança eu já a achava velha. Tinha medo de chegar perto pois a imaginava como uma bruxa. Era evangélica agora. As coisas da magia ficaram no passado. A simplicidade do barraco me tocava, pela limpeza e por acessórios tão singelos. Pediu-me ajuda para pegar a caixa que estava em cima do armário. Vi que era algo recém-comprado. Quando ela abriu, meus olhos ficaram vidrados no lindo jogo de chá. Finas xícaras brancas com rosas vermelhas. Lavou cada peça com cuidado enquanto rememorava. Depois que me curou, minha mãe passou a comprar um botão de rosa vermelha para eu colocar no altar dos santos. Ela me pegava no colo para eu alcançar o altar, depois me colocava no chão e eu saía correndo.

Aquele conjunto de xícaras significava o quanto eu era especial. Eu olhava o armário e via outras xícaras e copos simples. Dona Maria poderia ter usado qualquer peça daquelas! Um turbilhão de sentimentos tomou conta de mim. Vim embora tomada por um sentimento de reencontro com as coisas simples, de imensa felicidade e paz!

Poucas semanas depois o telefone da minha casa tocou. Era Marlene, filha da Dona Maria comunicando-me que sua mãe falecera. Ela não encontrou o meu telefone para informar do velório e só agora conseguira achar o número no meio das coisas da mãe. Atendia a um pedido especial de me presentear com aquele jogo de chá das rosas para meu enxoval. 'Coisa dos antigos', sorriu a filha ao telefone com o mesmo tom de ternura da mãe.

O vapor do chá sai da xícara e faz desenhos no ar. Sinto o carinho da Dona Maria e vejo seu sorriso e olhar cheio de amor. ‘Minha menina, essas rosas vermelhas são para você’.